A gestão financeira e contábil a serviço de uma administração transparente — Economatus A gestão financeira e contábil a serviço de uma administração transparente

A gestão financeira e contábil a serviço de uma administração transparente

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Muitas são as formas em que a Igreja e seus administradores podem ser condenados por leis comerciais, civis e penais pelo fato de não manter em ordem sua Contabilidade. Seja pelo motivo de não levar a sério a documentação relativa à transação operacional, fazer negócios fora do objeto social, cometer desvios ou, até mesmo, efetuar contratação de um profissional despreparado.

As igrejas precisam entender que, apesar de não serem deste mundo, estão inseridas no mundo, o que torna necessário saber quem são, para onde estão indo e aonde podem chegar financeiramente. Em nada poderá denegrir a Igreja, ativar a administração econômica da paróquia, muito pelo contrário, servirá de exemplo, pois é perfeitamente possível conciliar rentabilidade, eficiência e organização sem recorrer a mecanismos incompatíveis com a ética e a moral cristã.

A contabilidade é a alma da empresa, nela ficam registrados todos os atos e fatos. Se os atos do administrador são corretos, documentação adequada, transações negociais dentro do objeto da instituição, o reflexo é imediato: contabilidade é transparente. Caso contrário pode ser utilizada para incriminar a instituição, seus administradores e contador que foram relapsos e desleixados.

Conforme o art. 170 § 3º alínea III, as entidades sem fins lucrativos devem “manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”. Dessa forma, a lei estabelece critérios legais e claros para tais entidades, tornando-as passíveis de, até mesmo, perderem suas imunidades de tributação.

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Além do prejuízo da perda de isenção de tributos pela falta de escrituração contábil, deve ser observada na Bíblia em Salmos 106, 3: “Bem-aventurados os que observam o direito, que praticam a justiça em todos os tempos”. Diante do princípio bíblico posso afirmar que perder a isenção é colher o fruto da má semeadura.

No Brasil, principalmente a Igreja, há o vício dos administradores não se preocuparem com a contabilidade: “a contabilidade é que se vire”. Essa atitude custa caro: crime fiscal, indisponibilidade dos bens, pesadas multas, tributos, ingerência, concordata, escândalos, etc. É mister aos administradores e contadores conhecerem a definição de crimes, fraudes, dolos, erros, simulações, arbitramentos fiscais, responsabilidade; meios e privilégios de manter a escrita contábil saudável, como prova a favor da instituição nos mais variados embates em que estão sujeitos. A contabilidade é imprescindível, pois irá proporcionar uma base sustentável para o gestor administrativo, que terá como fundamento as demonstrações contábeis para análises e projeções, não sendo direcionada apenas por um simples relatório: receitas (-) despesas = lucros ou prejuízos.

Para a Igreja, que embora não tenha fins de distribuição de lucros e, na maioria dos casos é imune ou isenta de tributação, a contabilidade pode parecer um instrumento mais burocrático do que necessário. Esse engano que alguns gestores cometem, é fruto de muitos anos de entendimento de que a contabilidade prestava-se apenas para fins fiscais e de tributação. Contudo, esse pensamento vem mudando ao longo dos últimos anos, e as pessoas têm colocado a contabilidade em seu devido lugar de ciência que fornece subsídios importantes para a tomada de decisões dentro da instituição.

Realidades favoráveis

1ª. A contabilidade como ciência que é, exerce a função de fornecer transparência às instituições do terceiro setor, e por meio dessa credibilidade as mesmas poderão conseguir mais investidores e parceiros para realizar a consecução de seus objetivos.

2ª. A administração sendo conduzida dentro de normas técnico-científica com ética e eficiência visa satisfazer as necessidades econômicas e financeiras da Igreja, tendo em vista as necessidades, em função dos fins e missão, necessitando de investimentos para a manutenção e conservação das atividades, realização de seus planos e projetos.

A ciência da contabilidade está cada vez mais sofisticada e especializada. A contabilidade eclesiástica exige qualidades e conhecimentos específicos para o profissional que trabalha nesta área, diferente daqueles que se dedicam a contabilidade comercial, bancária, etc. Com certeza o contador tem que conhecer como funciona e toda a estrutura da Igreja. O amadorismo inconsequente leva a sérios prejuízos.

Luiz Rogério Nogueira é Autor dos livros “Administração Paroquial”, “Secretaria Paroquial”, “Gestão Administrativa”, “Financeira Eclesiástica” e “Acolher para Evangelizar”, publicados pela Editora Vozes.
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